terça-feira, 27 de abril de 2010

O amor acaba? - Marcelo Rubens Paiva

O amor acaba?


O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido… Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos… No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou. O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo! O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba? Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Esgotei

Esgotei. Esvaziei. Enchi.
Nunca pensei que me sentiria
Novamente assim.




A dor do parto
De uma criança morta,
Enquanto eu parto
Você bate a porta.




Nunca vou conseguir expressar
O que sinto por saber
Que o único jeito é te deixar.




Não tenho mais palavras
Não tenho mais sorriso
Em qualquer verdade falha
Vou fazer o meu abrigo.




Esgotei meu repertório
Esgotei todo o clichê
Quebrei meu oratório
E bebi água do bidê.




Esvaziei a alma vã
Esvaziei meu coração
Deitada no divã
De um analista canastrão.




Enchi a boca, o peito, o copo
Encheu o saco essa novela
Agora encho de desculpas
Uma verdade quase bela.




Se os olhos não mais fossem
Janelas que levam ao nada
Talvez até valesse a pena
Encarar essa empreitada.




Rimas pobres, versos tristes
Mão cansada a lamentar
Sentimento nobre ainda existe
Só ficou cansado de tentar.


Se um dia você voltasse
Como se não tivesse partido
Não diria que tentasse
Ser de novo só amigo.




Amizade não vai sobrar
De toda a loucura de ficar
Buscando respostas onde não há.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Vem...

Vem, porque eu sou tua

Toma minha carne crua

Mastiga com os dentes de tu’ alma

Porque quando você me acalma

Sei que és irmão gêmeo meu

Sei que quando o mundo for um breu

Vou recordar dessa oração

Corpo, alma e coração

Pois lembrarei que não estou sozinha

Tua alma, irmã da minha

Vai estar ao meu lado

E me abraçar

Seguir ao meu lado até tudo passar

Vou fechar os olhos, prosseguir nesse mundo

Esperando o momento do despertar profundo

Esperar tua vez de se libertar

Vou estar aqui, vou te receber, vou te amar

Vou ser bem feliz, esperando você voltar.

só o começo

Voltamos à beira do abismo


De onde não se vê o que

Já se trilhou

Nem nenhum caminho

A se trilhar.

Voltamos, cá estamos

A nos entreolhar.



Não vejo tristeza

Mas também não enxergo esperança

Esse algo que sumiu de nossos olhos

Pra deixarmos de uma vez

De ser criança

Houve um tempo em que pensei

Que sonhos fossem imortais

Até vê-los despedaçados 1 a 1

À deriva na beira do cais.



De cacos e abismos

Dos momentos divididos

Guardei tudo numa caixa

Na ultima gaveta da alma.



Foi bom e sempre vai ser

Poder olhar pra você

E saber que o precipício

Não se fez de erros

Mas estava lá desde o início,

Desde quando venderíamos fácil

Qualquer sentimento sem preço.



Já ia me encerrando e quase me esqueço

Boa sorte no abismo,

Prenda a respiração e feche os olhos

Isso é só o começo.

...pra que sofrer?

Pra que sofrer


Se aprendi a esperar?

Eu sei que ainda vou ver

Mais uma vez você voltar

Voltar com aquela cara

De quem não devia ter partido

Não vai faltar mais nada

Pro seu paraíso perdido.

Senti por tantas vezes

Que você era só meu

Apostei no jogo deles

Adivinha no que deu?






Não vou mais perder

Não vou mais me machucar

Limites são pra prender

E sonhos pra libertar

Vivi, corri, sonhei

Dos limites me libertei

Vou esperar você voltar

Mais uma vez.

O truque

Perto demais das minhas mãos


Distante como sempre

Em teu propósito...

Relembro agora do truque da vida

Pra por o mundo entre nós dois.



Quem custa a entender

Acaba por não aceitar

E a vida parece curta demais

Segundos antes de se afogar.



Sabíamos de cor como ia acontecer

E entre outras coisas

Ainda nos conhecemos bem

A gente sabe como é

Que tudo vai acabar...



Quero relembrar como é o trque...

Qual carta vem agora?

Vou perder no meu jogo outra vez?

Vou pagar de novo pra ver?



Perto demais dos meus olhos

E longe, como sempre

Da minha mira.

Não vou perder outro tiro,

Não vou me entregar ao destino



Porque se é perto de você que me sinto

Mais próxima de mim

Essas dúvidas indissolúveis não deviam

Doer e causar tanto assim.

evidência...

Tá difícil de esconder na cara


O que é tão evidente na alma,

Não dá pra fingir...



É complicado ficar cara-a-cara

Se é tão evidente que perco a calma

Só posso fugir.



Se essa aflição

O corpo todo sente

Porque fingir, então

O que já é tão evidente?



Fatiando nossas vidas

Dilacerando nossa pele

Ignorando as feridas

Fingindo não ser verdade.



Não posso encarar os fatos

Não posso olhar você

E desmanchar salas e quartos,

Desmanchar eu e você...

Bem-casado

Porque todas as canções bregas deviam


Levar seu nome no título

Esse sentimento velho e rançoso

Essa dor sem graça que não passa mais...



E todas as canções que falam

De dor de cotovelo, que ridículo!

Essa vontade velha e teimosa

Esse desejo sem graça que não passa mais...



Porque quando olho você e ouço

Violinos como canções velhas

De velhas cantinas italianas

E isso é muito brega!



Esse arrepio que dá é démodé

E ficar de paquerinha já não rola

Achei que você pudesse ver,

Mas ambos concordamos: que cafona!



Eu esperava que você pedisse minha mão

Bolo e champanhe no noivado

Véu, grinalda e uma procissão

Carros cheios de lata, bizinasso

Para celebrar a comunhão.



Mas chuva de arroz é convencional

Demais pra nós dois

E ficamos assim, com essa cara

De assunto pelo meio

Esperando o recheio

Do docinho bem-casado.

alma de poeta

Tenho alma de poeta
Não posso ser tão asceta

Em fazer o que proponho

E ser fiel ao que me oponho.



É que decidi ser errada

Logo que encarei a estrada

Não falo do passado, tão duro

Nem das lagrimas vertidas no escuro...



Falo da essência que já não existe

De preferir no mundo, ser mais triste

Nunca acreditei em quem diz

Que a gente nasceu pra ser feliz.

Fico com a melancolia

Dos dias de chuva, sem euforia,

Da paixão, já sem brasa,

Do caminho de volta pra casa..



Eu fico assim, sem rumo

A cabeça perdendo o prumo

Nada mais vai me guiar

Prefiro sair por ai e vagar...

Vagar...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Poema escrito às pressas




Na palma da mão



enquanto o trem partiu



saudades de um tempo que se foi



saudades de tudo o que nao foi



Poema desbota da mão



Sentimento vão



some no vento



enquanto me lembro



porquanto me entendo...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carnaval do Baixo Augusta!!!!

Algumas fotenhas do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta – 7/fev/2010...
o borrão de verde, la no alto é a madrinha da bateria, Marisa Orth...
(foto de celular é uma bosta...)

O bloco descendo a rua costa...

Eu e minha amiga Samantíssima:
(vlw pelo convite!)

E ai... meu filhão...
valeu, meu foliãozinho... valeu por mais um ano de folia e felicidade!

galeraaa...
tchoptchurasss...

estandarte... só faltou mesmo FOI UMA FOTO COM O MARCELO RUBENS PAIVA!!!

t'aí o Simoninha...

issso sim é baixo augusta!
dididididiz!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Contramão

Nesse dia triste
Choro por todos os outros
Não pretendo chorar mais.

Os punhos cerrados
E pés no chão
Sigo caminhos errados
Ou pego a contramão.

Todos os dias de chuva
Tem algo dos teus olhos caídos
Todos os dias de sol
Mostram a falta
De você ao meu lado.

Os punhos cerrados
Pra encarar a contramão
Sigo caminhos alados
Repletos de ilusão.

Pq todos os caminhos
Me levam à soleira da sua porta
Pq todos os destinos
Mostram nossa sina torta.

As perguntas que não calam
Essas vozes aqui dentro
Do que finjo que não sinto
E o que sinto do que invento.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Heat Dies Down

Heat Dies Down


Kaiser Chiefs



I can just imagine you and me

Running out of steam

Going through the motions

I have no idea how you know

When I dip my toes

In other people's oceans



'Cos you had a local knowledge

Of the local area

And that impressed me quite

So I tried that night

To do all the things I thought you'd like

But that just made it worse

And I impressed you not

Well not a lot



So we started from the start...



When the heat dies down

I'll be back in town

And until that time

I'll be round at mine

When the heat dies down

I'll be back in town

And until that time

I'll be round at mine



When the heat dies down

When the heat dies down

When the heat dies down

When the heat dies down



I cannot imagine growing old

To have and to hold

Till death do part each other

'Cos I doubt I could stomach twenty years

Spending time at hers

Talking to that Mother



'Cos I got a wider knowledge of the world

I just can't face another argument about the rent

It all seems unimportant

In the grander scheme of things

'Cos I was purpose built

To not feel guilt



So we ended at the end...



When the heat dies down

I'll be back in town

And until that time

I'll be round at mine

When the heat dies down



Eu só consigo imaginar você e eu


Ficando sem esse 'calor'

Entrando na rotina

Eu não tenho idéia de quando você sabe

Quando eu me aventuro

No universo de outras pessoas



Você tem conhecimento local

Das pessoas da área

E isso me impressiona bastante

Então eu tentei aquela noite

Nós fizemos coisas das quais eu pensei que você gostaria

Mas isso só piorou as coisas

E eu não a impressionei

Bem, não muito


Então nós começamos do começo...



Quando o calor acabar

Eu voltarei para a cidade

Mas até lá

Eu ficarei na minha

Quando o calor acabar

Eu voltarei para a cidade

 Mas até lá

 Eu ficarei na minha



Quando o calor acabar

Quando o calor acabar

Quando o calor acabar

Quando o calor acabar...



Eu não posso imaginar envelhecer

Ter e aceitar

Até que a morte nos separe

Agora não consigo avançar vinte anos

Gastando tempo com elas

Falando com nossas mães

Eu tenho um maior conhecimento do mundo

Eu só não consigo enfrentar outra discussão

Por causa do aluguel

Isso tudo parece sem importância

Na visão geral das coisas

Mas eu fui feito para

Não sentir culpa



Então nós terminamos pelo fim...


Quando o calor acabar...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Muro das Lamantações

Eu posso tudo

Enquanto for capaz

De te reconquistar a cada dia.

Eu quero tudo

Enquanto for capaz

De ser reconquistada a cada dia.

Você vai ser sempre

O muro das minhas lamentações

E a Meca da minha peregrinação.

Você vai ser sempre

O oceano – rumo da minha correnteza.

Eu fujo, disfarço, dou volta,

Mas tenho sempre a certeza

De terminar sempre em você.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Resumão

Já faz tempo que eu não posto nada no blog. Também, pudera. Corre-corre de fim de ano exige um pouco além do que apenas tempo... uma úlcera nova, talvez?
Dessa vez eu tive um motivo: segunda fase da fuvest, de cara, 3º, 4º e 5º dia de janeiro... os primeiros dias do ano...

Ainda não tenho ieia de como me sai, mas é como dizem; a esperança é a última que perece. Bom, depois de ter espremido o cérebro , o hipotálamo e o cerebelo sobre as 3 provas dissertativas, cá estou, me questionando sobre a minha vida útil (será que sobrou neurônio, ou foi-se até o suco????)...


O fato é que o natal foi ótimo, contamos com a presença de amigos muito queridos.
Foi tão legal que repetimos a dose no Ano Novo. Breja, rodinha de violão, amigos, presentes e presenças... Roots.













Esse ano teve árvore de natal e guirlanda. Pq não? Meu Papai Noel é batalhador, e é deveras um velho batuta. Mas esse ai não rejeita os miseráveis, não. Esse dai levanta as cabeças.
Pq não acreditar? Nos falta a ilusãode criança, que nos motiva, encoraja e enche de esperança (q rima tosca!), não nos deixa desistir de lutar... Nos faz buscar fazer o melhor.







A criançada pirou e a gente também. Em alguma coisa a gente tem que acreditar, huh?
=ó)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Love is Strong...



Love is strong


And you're so sweet

You make me hard

You make me weak

Love is strong

And you're so sweet

And some day, babe

We got to meet



A glimpse of you

Was all it took

A stranger's glance

It got me hooked

And I followed you

Across the stars

I looked for you

In seedy bars



What are you scared of, baby

It's more than just a dream

I need some time

We make a beautiful team

A beautiful team



Love is strong

And you're so sweet

And some day, babe

We got to meet

Just anywhere

Out in the park

Out on the street

And in the dark

I followed you

Through swirling seas

Down darkened woods

With silent trees



Your love is strong

And you're so sweet

You make me hard

You make me weak



What are you scared of, baby

It's more than just a dream

I need some time

We make a beautiful team

Beautiful



I wait for you

Until the dawn

My mind is ripped

My heart is torned



Your love is strong

And you're so sweet

Your love is bitter

It's taken neat

Love is strong, yeah

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Histórias

Sei que cada traço, cada passo

Cada anoitecer

Verei você

No mais banal dos gestos

E nos dissabores mais indigestos

Lembrarei você

Na completa loucura

Na sufocante lucidez

Eu terei algo sobre você

Cada olhar, virar a página

Um livro em branco

Isento de lágrima

Isento de você

Eu e você nunca rendemos histórias

Que os outros gostariam de contar

E além do mais, vitórias

Não são pra se cantar

A dois

E antes da hora.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sussurro


Eu sussurro
E você ali, parado
Prestes a dar o próximo passo...

Eu falo baixo
Disfarço,
Assobio...

Eu te chamo, quase não se ouve
O som da minha voz
E eu queria te seqüestrar
Em silêncio...

Sem resgate, sem violência
Um dia só e nada mais
Do teu tempo
Da tua história...

Eu lanço um “psiu”, mas você ignora,
Tudo bem, assim é que melhora
Quem sabe eu vá embora?
Aproveito a deixa – a melhor hora
De abandonar o espetáculo agora
Deixar teu sol brilhar lá fora...

Um sussurro no escuro
Um tiro no escuro
Uma palha
No palheiro escuro
Uma voz inaudível
De alguém do futuro...
Nos sonhos
Eu e você
E um grande muro
Mas que por mais sólido e imenso...
Ainda resta um furo...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

pesadelos...


Cansei de tentar transcender
Tudo o que quero agora
É rasgar a carne
Sair de mim.

Por vezes acordo num sufoco surdo
Empurrando o rosto contra o travesseiro
Querendo que tudo não passe
Do útero materno.

Não tento mais ver
O que está alem
Quero o gelo de ser
Das coisas estáticas
E imediatas.

Quero o nascer da estrela fria
O soprar do vento ateu
O ranger dos dentes nus.

Cão Guia - M.C.A.

Andava cego de amor
E o meu cão guia
Não sabia
Se seguia minha dor
De joelhos supliquei
Me declarava, não me ouvia
O cão latia pra ninguém

Se no amor só tive azar
Tentei a sorte
Em outro lugar
No bingo ganhei
Um disco do rei
Perdi tudo no bilhar
Do cachorro ao jogo de jantar

Não vou apostar
Nessa vida de azar
Se ela pode ir mais além
Deixa como está
Dessa sorte eu sou refém
Seis dezenas, fiz um par
No amor não fui tão bem

Cansei de ser um perdedor
Fiz do destino o meu amigo,
Ente querido, fiador
Malas prontas, tudo ok!
E no caminho lado a lado
Um passo errado tropecei

Me levantei bem devagar
Deixei de lado o mau olhar
Pensei em traçar
A sina de um rei
Na moeda o que vai dar
Tá na cara, não vou mais jogar

Não dá pra explicar
Só vai entender
O que é ganhar
Quem não cansou de perder
Eu perdi, vou ganhar
Ah! Eu perdi, vou ganhar